Aqui está a 1ª parte do 1º capitulo.
Desculpem a demora, queria começar a escrever a 3ª parte antes de postar e não tenho tido muito tempo para escrever.
Espero que gostem desta pequena introdução.__________
I – SECTUMSEMPRA
PARTE 1 – CONSCIÊNCIA
Harry não queria acreditar no que tinha feito. Era mau de mais. Mesmo sendo o Malfoy, ele nunca teria feito uma coisa daquelas se soubesse o que era. Tinha concordado com o castigo de Snape quase sem reclamar – ele merecia-o –, o único que o preocupava era o jogo de Quidditch. Depois daquela pequena conferência com Snape, Harry vagueou pelo castelo para tentar acalmar as emoçôes e pensar numa maneira de contar aquilo a Ron e Hermione. Sabia que Ron ia concordar com ele e que Hermione o ia repreender, mas o mais dificil era pôr por palavras o que tinha acontecido.
Enquando deambulava pelos corredores a tentar acalmar as emoçôes, Harry percebeu que nao se sentiria bem se nao fosse ver o rapaz á Ala Hospitalar, mas dúvidava que o outro o deixasse entrar, quanto mais o ver. Mas ele tinha de tentar, não se iria sentir bem enquanto não o fizesse. Resolveu lá ir no dia seguinte, ainda era muito cedo para provocar mais emoções fortes no Slytherin.
Voltou para a sala comum, onde quase esbarrou nos amigos que iam a sair nesse momento. Pareciam aliviados ao verem-no.
“Harry, estava a ver que não voltavas. Já te iamos procurar.” disse Ron com um sorriso de encorajamento na cara.
“Afinal o quê que aconteceu? Ouvimos umas coisas, mas não pode ser verdade. É melhor irmos para o vosso dormitório para não sermos incomodados.” disparou Hermione olhando á volta e reparando nos olhares.
“Sim, é melhor irmos para o dormitório. O que tenho para vos contar é grave, e tenho de mudar de roupas.” respondeu Harry.
Seguiu para o dormitório com os amigos atrás, deixando todos por quem passava a olharem para a sua figura coberta de sangue. Ao chegar ao dormitório, Harry pousou o seu saco da escola entregando o livro que tinha pedido emprestado a Ron e despiu o manto coberto e sangue, mandando-o para um canto. Despiu a camisa que tinha vestida e tirou uma lavada do malão vestindo-a de seguida. Depois entrou na casa de banho do dormitório e lavou a cara. Voltou a entrar no dormitório e sentou-se na cama. Apoiou os cotovelos nos joelhos e a cara nas mãos. Os seus amigos tinham seguido todos os seus passos com os olhos, e agora olhavam-no á espera da justificação.
“Eu quase matei o Malfoy.” Admitiu Harry sem rodeios. Olhou para cima e viu os amigos trocarem olhares. Pareciam os dois chocados, mas nada mais.
“O quê que aconteceu para fazeres isso?” perguntou Ron. “Quero dizer, eu sei que nunca fomos muito com o Malfoy, mas isso não é razão para quase se matar alguém.”
“Bem, eu estava mais uma vez á procura dele no Mapa, e encontrei-o com a Murta na casa de banho dos rapazes do quarto andar. Estranhei, e fui ver o que se estava a passar. Espreitei para a casa de banho e ele estava mesmo lá com a Murta. Ele viu-me e atacou-me. A principio defendi-me, mas depois ele tentou larçar-me a Maldição Cruciatus, que não me acertou, e eu usei um dos feitiços que vi no livro do Príncipe, o Sectumempra.” Os seus amigos trocaram mais uma vez olhares, desta vez confusos. Nenhum deles tinha ouvido falar do Sectumsempra, e ainda bem, pois era um feitiço de Magia Negra que Harry não voltaria a usar. ”O feitiço atingiu-o e fez-lhe variados cortes no corpo. Cortes muito perfundos.”
“Tu usaste Magia Negra, Harry?” perguntou Ron escandalizado.
“Eu disse-vos que aquele Príncipe não era de confiança! Quem é que escreveria um feitiço de Magia Negra num livro de escola?” disparou Hermione no seu tom de voz ‘eu bem vos avisei’.
Harry olhou para os amigos chocado. Tinha acabado de dizer que quase tinha morto uma pessoa, e eles só se preocupavam com a Magia Negra? Hermione percebeu o seu olhar e rapidamente perguntou:
“Ele está bem?”
“Sim. O Snape apareceu e fez-lhe um feitiço qualquer que lhe fechou as feridas e depois levou-o á Ala Hospitalar. Ouvi-o a dizer que o Malfoy não vai ficar nem com cicatrizes.” Respondeu Harry, baixando a cara.
“Menos mal.” Disse Ron, atingindo a verdade segundos depois. “Espera, disseste o Snape? Isso é terrível! O Malfoy é da equipa dele! Deves ter um castigo daqueles bem pesados!”
“Não sei, ele não me disse o que ia fazer. Mas estou de castigo todos os Sábados até ao fim do ano. A contar com este.” Declarou.
“O quê?! Mas este Sábado há jogo! Tu és o capitão, tens de lá estar!”quase gritou Ron.
“Bem, sabes como é o Snape. Não vou mesmo poder jogar. A Ginny substitui-me e o Dean a ela.”
“Mas...” começou Ron.
“Fazes bem em aceitar as consequências assim.” Cortou Hermione, olhando seriamente para Ron.
“Mas... O jogo... A Taça...” balbuciou Ron.
“Ron, o Harry quase matou uma pessoa. Acho que estar de castigo todos os Sábados, principalmente o do jogo final de Quidditch é suficiente para ele poder pensar bem e não voltar a confiar em coisas que vê gatafunhadas em livros sem saber o que fazem.” Declarou tentando acabar o tópico.
“A culpa não é do Príncipe.” Disse Harry, olhando para cima outra vez. Hermione olhou para ele chocada. ”Ele não disse para o usar, apenas se limitou a escrevê-lo.”
“Não acredito que ainda confias nesse livro! Depois do que acabaste de fazer, ainda confias no que esse tal Príncipe diz?” explodiu Hermione estupefacta. “Por falar nisso, onde está o livro? Para quê que precisaste do do Ron?”
“O Snape pediu-me os meus livros todos. Acho que ele andou a fazer Legilemância em mim e viu o livro do Príncipe, por isso escondi-o na Sala das Necessidades e pedi o do Ron. Quase fui apanhado. Se não fosse aquela pena a escrever mal o teu nome, o Snape tinha-me apanhado logo.”
Hermione estava incrédula. “Tu não vais buscar esse livro de volta, pois não?” perguntou vendo já a resposta.
“Está claro que vou!” respondeu Harry.!Hermione, eu sei que tu não gostas de ser a segunda da turma, mas eu não me considero um Mestre de Poções. E se não fosse aquele livro, nunca tinha conseguido a memória do Slughorn nem salvar o Ron”
“Ele tem razão, Hermione.” Concordou Ron.
‘”u não acredito... Muito bem, não vale a pena argumentar com vocês. Vai buscar o teu adorado livro, e, se da próxima vez matares alguém, espero que tenhas um terrível castigo, pode ser que percebas!” virou-lhes as costas e saiu, batendo com a porta. Harry ficou a olhar para a porta por onde ela tinha saido, um arrepio a percorrer-lhe a espinha.
De certa forma ela tinha razão. Mas a culpa não era do livro, era dele, por não ter investigado sobre aquilo antes. Memórias do rapaz a escorrer sangue pelo chão da casa de banho, o seu cabelo loiro e a sua cara palida manchados de vermelho, vieram-lhe á cabeça. Lembrou-se de ter dito a si mesmo que iria falar com Draco no dia seguinte, pedir-lhe desculpa, quando a voz de Ron o despertou dos seus pensamentos.
“Não lhe ligues, aquilo passa-lhe. Ele vai ficar bem não vai? Então não há razões para--”
“Obrigado Ron, mas podes deixar-me sozinho por uns minutos?” Interrompeu. “Estou cansado, quero tomar um banho e deitar-me um bocado. Não me chames para o jantar se estiver a dormir.” O amigo acenou e ia a sair do dormitório quando Harry se lembrou de mais uma coisa. “E avisa a equipa de que estou de castigo e as mudanças. Se eles perguntarem, podes dizer a verdade.”